A partir da semana que vem será possível financiar imóveis em até 35 anos - atualmente, o prazo máximo é de 30 anos.
Medidas incluem redução de juros
Numa nova investida em seu principal foco de atuação, a Caixa Econômica Federal anunciou ontem uma extensão de prazo de financiamentos imobiliários com recursos de poupança e mais uma rodada de corte das taxas de juros. a partir da próxima segunda-feira, quem quiser empréstimo para adquirir a casa própria poderá fazer o pagamento em até 35 anos e não mais em 30 anos.
Além disso, o consumidor passará a ter juro de 8,85% ao ano mais TR, em lugar dos atuais 9% para imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) - ou seja, com valor de avaliação até R$ 500 mil. Se o mutuário for cliente ou receber salário pela Caixa, a taxa pode chegar até 7,8%. Fora o SFH, o consumidor terá um refresco menor, já que os juros passarão de 10% para 9,99% ao ano. Também nesse caso, a variação pode chegar a 8,9% dependendo do relacionamento como vice-presidente de governo e habitação da Caixa, José Urbano Duarte, salientou que as mudanças podem proporcionar a compra de um imóvel mais caro pelo consumidor ou a aquisição do mesmo imóvel que imaginava antes, mas com prestações menores, já que o valor das parcelas poderá ser diluído por mais tempo. Hoje, 4% dos empréstimos imobiliários do banco tem o prazo máximo de 30 anos.
Pelas regras atuais uma pessoa com renda familiar de R$ 10 mil, por exemplo, pode obter um financiamento de até R$ 267 mil. A partir da próxima semana esse valor sobe para R$ 280 mil e, se o mutuário receber seu salário pela Caixa, terá um teto de R$ 303 mil. As mudanças (que são consequência da ampliação do prazo) permitirão que o mutuário, caso seja cliente do banco e pegue um empréstimo de R$ 267 mil, passe a pagar uma prestação de R$ 2.604,00 por mês e não os atuais R$ 3 mil.
FGTS
As condições mais atraentes valem para os imóveis de valor mais baixo, que usam recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Para estes - que não são afetados pelas medidas anunciadas ontem - as taxas médias são de 6%. Entre os requisitos para acessar os recursos do Fundo estão valor máximo do imóvel de R$ 170 mil, renda familiar de R$ 5,4 mil e não ter imóvel ou financiamento imobiliário no seu nome.
Segundo Urbano Duarte, a Caixa já pediu ao Conselho Curador do FGTS que a extensão do prazo de financiamento de 35 anos também seja aplicado para as operações com dinheiro do Fundo e para os imóveis do Minha Casa Minha Vida. O programa tem restrições de renda e de valor do imóvel, e também não foi incluído nas medidas de ontem.
As medidas anunciadas ontem podem ser entendidas como uma continuação do processo de redução de juros, iniciado em fins de abril justamente pelas instituições financeiras estatais, Caixa e Banco do Brasil. Mas também podem ser interpretadas como uma das medidas do governo para devolver dinamismo à economia brasileira, prejudicada pela crise internacional e pela escassez de crédito no mercado interno. Elas fazem parte do " arsenal de providências" para fazer o país crescer, da qual falou a presidente Dilma Rousseff.
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